terça-feira, 20 de julho de 2010

Quem eu sou ?

Não sei mais quem sou . Olho para as velhas fotos, olho para o espelho, para as poças de água na rua, para as vidraças das lojas, para o vidro empoeirado de uma televisão antiga . Todos mostram um mesmo rosto . Ora crescido, ora infantil, ora avermelhado - de tanto chorar por não saber se encontrar -, ora sem cor . O vento lá fora faz as árvores perderem suas folhagens, levando-as para longe . Exatamente do mesmo modo como faz com minha esperança . Me sinto perdida no meio de tantos rostos conhecidos, me sinto só no meio de uma multidão . Me sinto incompleta, me sinto vazia, me sinto infantil, me sinto boba, me sinto idiota; me sinto cansada de sentir tudo isso .
Todos os dias passo pelos mesmos lugares que passava antigamente, vejo as mesmas pessoas, as mesmas roupas nas vitrines, o mesmo mendigo na calçada, implorando por uma ajuda . Por uma ajuda que, eu e ele sabemos muito bem, nunca vai chegar . Assim como ele, estou perdida e não quero me achar . Quero uma mão que me tire desse buraco negro em que me encontro, quero um auxílio que nunca vem, quero fugir e gritar, e ao mesmo tempo quero permanecer minha própria prisioneira . Sem rumo, sem casa, sem amigos ou família, sem ninguém . Embora tenha todas as coisas de que sinto falta, e saiba plenamente da existência dessas, esse sentimento perturbante não me deixa . Faz questão de acompanhar meus passos, desde a manhã fria até o pôr do Sol . Faz questão de me lembrar que está comigo aonde quer que eu vá .
Faz questão de me lembrar que sou e serei uma pessoa incompleta hoje, e eternamente .

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